O absolutismo é uma forma de governo que se caracteriza pela concentração de poder nas mãos de um único governante, que exerce autoridade suprema sobre o Estado. Duas das figuras mais proeminentes associadas a essa teoria política são Thomas Hobbes e Jacques-Bénigne Bossuet. Embora ambos tenham contribuído para a fundamentação do absolutismo, suas abordagens e justificativas são distintas, refletindo diferentes visões sobre a natureza humana e a origem do poder.

O Contexto Histórico do Absolutismo

O absolutismo emergiu na Europa durante os séculos XVI e XVII, em um período marcado por crises políticas, guerras e a ascensão dos Estados-nação. A centralização do poder era vista como uma solução para a instabilidade e a fragmentação política. Nesse contexto, pensadores como Hobbes e Bossuet ofereceram justificativas teóricas para a autoridade absoluta dos monarcas.

Thomas Hobbes e o Contrato Social

Thomas Hobbes, filósofo inglês do século XVII, é conhecido por sua obra Leviatã, onde apresenta sua visão sobre o contrato social. Para Hobbes, o estado natural do ser humano é de constante conflito e insegurança, levando à necessidade de um governo forte para garantir a paz e a ordem. Ele argumenta que, para escapar desse estado de natureza, os indivíduos concordam em ceder parte de sua liberdade em troca de proteção e segurança.

A Natureza Humana e o Estado de Natureza

Hobbes acredita que os seres humanos são motivados por interesses egoístas e que, sem um governo centralizado, a vida seria "solitária, pobre, desagradável, brutal e curta". Assim, o contrato social é um acordo em que os indivíduos abdicam de sua liberdade em favor de um soberano, que possui o poder absoluto para manter a ordem.

O Papel do Soberano

O soberano, segundo Hobbes, deve ter poder absoluto para garantir a paz. Ele não deve ser contestado, pois qualquer divisão de poder poderia levar ao retorno do estado de natureza. A legitimidade do governo, portanto, deriva da capacidade de manter a ordem e a segurança.

Jacques-Bénigne Bossuet e o Direito Divino dos Reis

Por outro lado, Jacques-Bénigne Bossuet, um teólogo e filósofo francês, defendeu a ideia do direito divino dos reis. Em sua obra Política tirada das Sagradas Escrituras, Bossuet argumenta que a autoridade dos monarcas é concedida diretamente por Deus, o que confere a eles um poder legítimo e inquestionável.

A Justificativa Religiosa

Diferentemente de Hobbes, que fundamenta a autoridade do soberano em um contrato social, Bossuet baseia sua argumentação na teologia. Para ele, os reis são escolhidos por Deus e, portanto, devem ser obedecidos como representantes divinos na Terra. Essa visão reforça a ideia de que a rebelião contra o rei é uma rebelião contra a vontade de Deus.

A Função do Rei

Bossuet acredita que o rei deve governar com justiça e sabedoria, sendo responsável pelo bem-estar de seus súditos. A autoridade real é, assim, uma extensão da vontade divina, e o rei deve agir em conformidade com os princípios morais e éticos estabelecidos por Deus.

Comparação entre Hobbes e Bossuet

Embora Hobbes e Bossuet defendam o absolutismo, suas justificativas e visões sobre o poder são diferentes. Enquanto Hobbes se concentra na necessidade de um governo forte para evitar o caos e a anarquia, Bossuet fundamenta a autoridade real em uma perspectiva religiosa, enfatizando a legitimidade divina do poder.

Visão sobre a Natureza Humana

Hobbes tem uma visão pessimista da natureza humana, acreditando que os indivíduos são essencialmente egoístas e propensos ao conflito. Bossuet, por outro lado, vê a natureza humana como capaz de agir de acordo com princípios morais, desde que guiada por um líder justo.

Origem do Poder

Para Hobbes, o poder do soberano é derivado do contrato social, enquanto para Bossuet, o poder é conferido por Deus. Essa diferença fundamental leva a abordagens distintas sobre a legitimidade e a função do governo.

Implicações das Teorias para a Política Moderna

As teorias de Hobbes e Bossuet tiveram um impacto significativo no desenvolvimento do pensamento político moderno. O contrato social de Hobbes influenciou pensadores posteriores, como John Locke e Jean-Jacques Rousseau, que também abordaram a relação entre indivíduos e governo. Por outro lado, a ideia do direito divino dos reis foi desafiada durante a Revolução Francesa, quando os princípios da soberania popular e da democracia começaram a ganhar força.

Conclusão

As contribuições de Hobbes e Bossuet para a teoria do absolutismo revelam diferentes perspectivas sobre a natureza do poder e a relação entre governantes e governados. Enquanto Hobbes enfatiza a necessidade de um governo forte para garantir a segurança, Bossuet fundamenta a autoridade real na vontade divina. Essas teorias continuam a ser relevantes para o entendimento das dinâmicas políticas contemporâneas e das questões sobre legitimidade e autoridade.

FAQ

  • Qual é a principal diferença entre Hobbes e Bossuet? Hobbes fundamenta o poder no contrato social, enquanto Bossuet o baseia no direito divino dos reis.
  • O que é o contrato social segundo Hobbes? É um acordo em que os indivíduos cedem parte de sua liberdade em troca de segurança e ordem.
  • Como Bossuet justifica a autoridade dos reis? Ele argumenta que a autoridade real é concedida por Deus, tornando os reis representantes divinos.
  • Qual é a visão de Hobbes sobre a natureza humana? Hobbes tem uma visão pessimista, acreditando que os seres humanos são egoístas e propensos ao conflito.
  • Como as teorias de Hobbes e Bossuet influenciam a política moderna? As teorias influenciaram o desenvolvimento do pensamento político e a discussão sobre legitimidade e autoridade.